Janja e o Palácio: protagonismo ou excesso?
A atuação da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, levanta debates sobre os limites do papel institucional e o risco de personalismo no governo Lula.
A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, tem se destacado por uma atuação que ultrapassa os limites tradicionais do papel de cônjuge presidencial. Autodeclarando-se "articuladora" no governo e reivindicando autonomia total, Janja desafia convenções e provoca debates sobre institucionalidade, protagonismo e os riscos de personalismo no poder.
Em entrevista à BBC, Janja afirmou que seu papel é o de articuladora, com liberdade para atuar em políticas públicas e representar o governo em eventos nacionais e internacionais. Ela enfatizou que "não existe hierarquia" entre ela e o presidente Lula, seu marido, e que deseja romper com o estereótipo da primeira-dama dedicada apenas a ações filantrópicas.
Essa postura tem gerado críticas, especialmente da oposição, que questiona a legitimidade de sua influência no governo. Em resposta, o presidente Lula defendeu sua esposa, afirmando que as críticas são uma tentativa de atingi-lo indiretamente e encorajando Janja a continuar sua atuação.
Janja também criticou a ausência de um gabinete formal para a primeira-dama no Brasil, atribuindo essa lacuna ao machismo institucional. Ela comparou a situação brasileira com a de países como Estados Unidos, México e Paraguai, onde as primeiras-damas possuem estruturas oficiais de trabalho.
No entanto, sua atuação tem sido marcada por polêmicas. Durante um evento paralelo ao G20, Janja proferiu um xingamento direcionado ao bilionário Elon Musk, o que gerou críticas sobre a adequação de sua postura em eventos oficiais.
Além disso, sua participação em viagens internacionais representando o governo, como na cúpula "Nutrição para o Crescimento" em Paris, levantou questionamentos sobre os gastos públicos e a formalidade de sua função. Em resposta, Lula afirmou que Janja "vai fazer o que quiser" e que sua atuação é legítima.
Pesquisas de opinião refletem a divisão na percepção pública sobre Janja: enquanto 20% a consideram "boa para o Brasil", 27% a veem como "ruim", e 42% são indiferentes à sua atuação.
A atuação de Janja levanta questões importantes sobre os limites do papel da primeira-dama e o equilíbrio entre influência pessoal e institucionalidade no governo. É fundamental que qualquer ampliação de suas funções seja acompanhada de transparência e responsabilidade, para evitar a personalização excessiva do poder e garantir a legitimidade democrática das ações governamentais.
Nota: Este artigo é uma análise crítica baseada em informações disponíveis até a presente data e não reflete necessariamente a opinião do autor.
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